Porque é que há blogues que o facebook deles é muito mais interessante que o próprio blogue?!?
quinta-feira, 3 de abril de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
Apetece-me!
Descobri hoje este blog. Simplesmente espectacular! Já chorei a rir.
Ide lá espreitar,mas atenção mães fofinhas e super-mães não espreitem ;)
Ide lá espreitar,mas atenção mães fofinhas e super-mães não espreitem ;)
segunda-feira, 10 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Especatcular!!!
MÃE PELA PRIMEIRA VEZ:
Desinfecta:
Chuchas, biberons e tetinas, tudo isso e ainda o que couber no esterilizador fantástico que uma das avós ofereceu.
Veste:
Casacos, camisolas, interiores, gorros, collants e sei lá mais o quê…em pleno verão, o bebé só mexe os olhinhos, fica completamente enchouriçado e acaba por passar a vida a fazer aerossóis.
No saco do bebé:
Fraldas, chucha extra, toalhetes, pochete com cremes e creminhos, pochete com termómetro e remédios (aero-om e benuron), duas fraldas de pano, babetes, inter comunicadores (pelo sim, pelo não), muda de roupa, mas mesmo assim o saco vai bem arrumado e cabe tudo lá dentro, muito ao nível do “Sport billy”.
Lava:
Toda a roupa com um produto hipoalergénico, especial para bebés e separado da roupa dos outros habitantes da casa ou seja, faz máquinas de roupa ridículas com 3 ou 4 peças de bebé.
Stressa porque:
O bebé dorme muito ou dorme pouco; come muito ou come pouco; a respiração ruidosa ou silenciosa; tosse ou não sabe tossir; funga ou não sabe fungar; faz muito ou pouco cocó; o cocó é verde ou amarelo; dá puns ou porque os guarda só para ele; parece cansado ou não pára quieto; tem borbulhas aqui ou acolá…a lista é interminável.
Muda de fralda:
De duas em duas horas, mas vai espreitando cada xixizito para o livrar prontamente do mesmo.
Dorme:
Pouco ou nada e de vez em quando acorda em sobressalto, com medo de ter perdido algum acontecimento. No meio do escuro, acaba por dar uma estaladona no bebé, porque quer apenas verificar se a criança está a respirar bem. O bebé que dorme descansado, acorda aos gritos. O pai também acorda e passa atestado de “perfeita anormal” à mãezinha da criança (esta aconteceu-me mesmo!!!).
Desinfecta:
Chuchas e tetinas vão para o esterilizador (que já está cheio de calcário) apenas nos primeiros três meses, tudo o resto vai para a parte de cima da máquina da loiça.
Saco do bebé:
Vai cheio até à inconsciência, mas não leva nada de jeito lá dentro, às vezes até há falta de fraldas ou de toalhetes ou uma fralda suja dentro de um saco de plástico: “Que hoje mesmo a deito fora!”.
Ahhh Ahhh, mas tem sempre o aero-om e uma chucha extra! É previdente!
Veste:
Um casaco no verão, um casaquito e um gorro no inverno, mas se o bebé fica arreliado, tira-lhe o gorro e pronto!
Lava:
As roupas das crianças todas misturadas, e às vezes engana-se e também põe umas coisas do marido (Por esta altura já percebeu que afinal tem três filhos!).
Muda de fralda:
Sempre que o bebé faz um cócózito, por vezes esquece-se dos xixis…
MÃE PELA TERCEIRA, QUARTA, QUINTA OU QUALQUER OUTRA VEZ …
Desinfecta:
É apenas uma palavra que só existe para quando se quer mandar alguém embora.
Saco do bebé:
… ou mala da mãe é a mesma coisa e só tem uma fralda, uns mini toalhetes e lenços de papel.
Veste:
“Agora visto-me menos vezes de fato de treino”… estavam a falar de quem?
Lava:
Tudo junto e com o detergente do pingo doce que é óptimo e baratissimo!
Muda de fralda:
Quando cheira ou já arrasta pelo chão. Questiona-se com o facto de gastar muito menos fraldas com este do que com os outros e acredita que os outros faziam mais cócós e xixis.
Dorme:
Sempre que pode e em todo o lado, até de pé ou encostada a uma parede. Acorda, bem, acorda porque o despertador tocou.
Stressa porque:
Os miúdos estão doentes; o pai dos miúdos ressona que nem um Pug (Cães que ressonam, roncam e fungam); não consegue dormir porque alguém chora ou ressona; dormiu pouco; os medicamentos são caríssimos; de certeza que vai ser despedida e porque à saída do restaurante, a chegar ao carro, reparou que o marido saiu de mão dada com os dois mais velhos, e ela… bem, ela vinha a falar ao telefone e deixou o bebé dentro do ovo, em cima da cadeira, no restaurante!
DAQUI
Desinfecta:
Chuchas, biberons e tetinas, tudo isso e ainda o que couber no esterilizador fantástico que uma das avós ofereceu.
Veste:
Casacos, camisolas, interiores, gorros, collants e sei lá mais o quê…em pleno verão, o bebé só mexe os olhinhos, fica completamente enchouriçado e acaba por passar a vida a fazer aerossóis.
No saco do bebé:
Fraldas, chucha extra, toalhetes, pochete com cremes e creminhos, pochete com termómetro e remédios (aero-om e benuron), duas fraldas de pano, babetes, inter comunicadores (pelo sim, pelo não), muda de roupa, mas mesmo assim o saco vai bem arrumado e cabe tudo lá dentro, muito ao nível do “Sport billy”.
Lava:
Toda a roupa com um produto hipoalergénico, especial para bebés e separado da roupa dos outros habitantes da casa ou seja, faz máquinas de roupa ridículas com 3 ou 4 peças de bebé.
Stressa porque:
O bebé dorme muito ou dorme pouco; come muito ou come pouco; a respiração ruidosa ou silenciosa; tosse ou não sabe tossir; funga ou não sabe fungar; faz muito ou pouco cocó; o cocó é verde ou amarelo; dá puns ou porque os guarda só para ele; parece cansado ou não pára quieto; tem borbulhas aqui ou acolá…a lista é interminável.
Muda de fralda:
De duas em duas horas, mas vai espreitando cada xixizito para o livrar prontamente do mesmo.
Dorme:
Pouco ou nada e de vez em quando acorda em sobressalto, com medo de ter perdido algum acontecimento. No meio do escuro, acaba por dar uma estaladona no bebé, porque quer apenas verificar se a criança está a respirar bem. O bebé que dorme descansado, acorda aos gritos. O pai também acorda e passa atestado de “perfeita anormal” à mãezinha da criança (esta aconteceu-me mesmo!!!).
MÃE PELA SEGUNDA VEZ…
Desinfecta:
Chuchas e tetinas vão para o esterilizador (que já está cheio de calcário) apenas nos primeiros três meses, tudo o resto vai para a parte de cima da máquina da loiça.
Saco do bebé:
Vai cheio até à inconsciência, mas não leva nada de jeito lá dentro, às vezes até há falta de fraldas ou de toalhetes ou uma fralda suja dentro de um saco de plástico: “Que hoje mesmo a deito fora!”.
Ahhh Ahhh, mas tem sempre o aero-om e uma chucha extra! É previdente!
Veste:
Um casaco no verão, um casaquito e um gorro no inverno, mas se o bebé fica arreliado, tira-lhe o gorro e pronto!
Lava:
As roupas das crianças todas misturadas, e às vezes engana-se e também põe umas coisas do marido (Por esta altura já percebeu que afinal tem três filhos!).
Muda de fralda:
Sempre que o bebé faz um cócózito, por vezes esquece-se dos xixis…
Dorme:
Dorme, mas ainda acorda com qualquer punzinho!Stressa porque:
O mais velho apanhou uma virose; o bebé também apanhou a virose; os dois estão doentes e não podem ir à creche; tem que levar os dois ao médico e ainda passar na farmácia; faltou ao trabalho; tem que fazer os aerossóis a dois; prender um numa cadeira de papas ou num parque, para poder tratar do outro; dar a medicação certa e nas doses certas a cada um! Pergunta muitas vezes a si própria como é que fazem as outras mães… prefere enlouquecer em comunidade.
O mais velho apanhou uma virose; o bebé também apanhou a virose; os dois estão doentes e não podem ir à creche; tem que levar os dois ao médico e ainda passar na farmácia; faltou ao trabalho; tem que fazer os aerossóis a dois; prender um numa cadeira de papas ou num parque, para poder tratar do outro; dar a medicação certa e nas doses certas a cada um! Pergunta muitas vezes a si própria como é que fazem as outras mães… prefere enlouquecer em comunidade.
Desinfecta:
É apenas uma palavra que só existe para quando se quer mandar alguém embora.
Saco do bebé:
… ou mala da mãe é a mesma coisa e só tem uma fralda, uns mini toalhetes e lenços de papel.
Veste:
“Agora visto-me menos vezes de fato de treino”… estavam a falar de quem?
Lava:
Tudo junto e com o detergente do pingo doce que é óptimo e baratissimo!
Muda de fralda:
Quando cheira ou já arrasta pelo chão. Questiona-se com o facto de gastar muito menos fraldas com este do que com os outros e acredita que os outros faziam mais cócós e xixis.
Dorme:
Sempre que pode e em todo o lado, até de pé ou encostada a uma parede. Acorda, bem, acorda porque o despertador tocou.
Stressa porque:
Os miúdos estão doentes; o pai dos miúdos ressona que nem um Pug (Cães que ressonam, roncam e fungam); não consegue dormir porque alguém chora ou ressona; dormiu pouco; os medicamentos são caríssimos; de certeza que vai ser despedida e porque à saída do restaurante, a chegar ao carro, reparou que o marido saiu de mão dada com os dois mais velhos, e ela… bem, ela vinha a falar ao telefone e deixou o bebé dentro do ovo, em cima da cadeira, no restaurante!
DAQUI
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Olá
Depois de muitos emails recebidos (mentira,foi só um) decidi voltar a escrever!
Reparei agora que a ultima vez quer escrevi ainda foi no ano passado,txinapá,à miles de tempos.
Depois do ultimo post o que aconteceu na minha vida digno de registo:
- estive de férias
- foi o Natal
- a passagem de ano
- voltei a trabalhar
- ...
- ...
- ...
Como podem reparar nada de muito importante.
Pode ser que volte a escrever mais regularmente,pode ser que não.
Anónima do costume: obrigado por pedires para eu voltar a escrever,quase que se me soltou uma lágrima :)
Reparei agora que a ultima vez quer escrevi ainda foi no ano passado,txinapá,à miles de tempos.
Depois do ultimo post o que aconteceu na minha vida digno de registo:
- estive de férias
- foi o Natal
- a passagem de ano
- voltei a trabalhar
- ...
- ...
- ...
Como podem reparar nada de muito importante.
Pode ser que volte a escrever mais regularmente,pode ser que não.
Anónima do costume: obrigado por pedires para eu voltar a escrever,quase que se me soltou uma lágrima :)
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
PPC
E este ano,já se increveram no polar post crossing 2013???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
Hum????????
Hum????????
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Mulher sofre!
"Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.
Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas.
Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era
O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.
Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta".
Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava De cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cú de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera.
Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo.
Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.
Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.
Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas.
Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era
O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.
Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta".
Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava De cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cú de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera.
Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo.
Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.
Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
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